07 Fev
BEIRA DE CALÇADA
Remember. Noite de 17 de agosto de 1997. O horário muito próximo das 21 horas. O cenário: Palácio da Ronda, a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. Personagens em cena: Djalma de Almeida César e seu filho Reinaldo de Almeida César Sobrinho, até então secretário municipal de Administração e Negócios Jurídicos na gestão do prefeito Jocelito Canto.
Nesse mesmo horário, a bordo de uma moderna aeronave, JC voava tendo como destino à África do Sul, onde na cidade de Durban, negociaria com empresários belgas e franceses da Beaullieu a instalação de uma planta no Distrito Industrial.
Mas voltemos ao primeiro andar do Palácio da Ronda. O prefeito em exercício era o presidente da Câmara Municipal, Geraldo Woyciechowski. O coronel João Jorge dos Santos recebera recomendação para que, durante a viagem de JC, atuasse como se fosse uma espécie de chefe da Casa Militar do Palácio.
Reinaldo de Almeida César Sobrinho que não cruzava o seu santo com o de Roberto Mongruel, amigo in pectore de Jocelito Canto, teve uma altercação com o mesmo naqueles dias.
E a 17 de agosto de 1997 resolveu que deixaria o governo. Quando foi fazer uma limpeza nas gavetas foi constrangido a não fazer isso. As portas da Prefeitura foram lacradas, não sem antes ter adentrado ao recinto o então deputado federal Djalma de Almeida César para proteger o filho.
Um jornalista do plantão também ficou fechado e sem comunicação externa a não ser via telefônica, e pôde assim ser testemunha ocular dos acontecimentos.
Do outro lado da alameda (no prédio da Câmara Municipal) um sujeito oculto acompanhava todo o desenrolar dos acontecimentos e informava o prefeito Jocelito Canto, que pensou inclusive em abandonar o vôo e retornar a Ponta Grossa. Foi aconselhado a seguir viagem.
Há quem jure, até hoje, ter visto nas mãos do deputado Djalma de Almeida César uma arma de fogo.
De duas a três horas depois baixou a temperatura que chegou a ficar escaldante.
No dia seguinte, em frente ao Palácio da Ronda, Reinaldo de Almeida César Sobrinho concedeu uma entrevista coletiva e de forma enigmática deixou no ar um versículo bíblico (João 8-32) : “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
E Reinaldo efetivamente deixou o governo e foi cuidar da sua vida. Dono de um currículo invejável acabou ingressando, via concurso, na Polícia Federal.
E isso muito provavelmente foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida, até mesmo em relação ao exercício da chefia de gabinete no primeiro mandato de Requião.
Não fora isso e Reinaldo, hoje, estaria integrando, talvez, o corpo jurídico da Garagem da Esperança do radialista Jocelito Canto. Sem demérito algum, é claro.
Mas Reinaldinho, que tinha o apelido de “Noivo de Bolo” galgaria outra escadaria, que o leva, agora, à presidência da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal.
Ele não deve enfrentar qualquer tipo adversário nas eleições já que a única chapa de oposição teve seu registro indeferido pela mesa eleitoral por indícios de irregularidades.
Reinaldo promete brigar pela recomposição salarial e aprovação do Projeto de Lei Orgânica da PF, que tramita na Câmara dos Deputados.
É bem possível que, Reinaldinho marque presença em Ponta Grossa, quando da implantação oficial da Delegacia da Polícia Federal.
Postado por Altair Ramalho as 09:07 Clique aqui para deixar seu comentario