10 Jul
DE REPENTE
“DE REPENTE DO RISO FEZ-SE O PRANTO
Silencioso e branco como a bruma
(…)
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
(…)
De repente, não mais que de repente
(…)
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se de vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente”
(VINICIUS DE MORAES)
“Bom dia amigo
Que a paz seja contigo
Eu vim somente dizer
Que eu te amo tanto
Que vou morrer
Amigo... adeus”
O nosso “poetinha” (Vinicius de Moraes) que completaria 100 anos, se vivo estivesse, era um dos preferidos do Jovani Pedro Masini, que, sempre que podia, propunha uma troca com aqueles meninos que, volta e meia, batiam à sua porta pedindo alguns trocados.
E Masini não fazia ouvidos do mercador e nem se zangava com esses meninos. Mas, incontinenti, propunha uma troca justa : cada um deles teria que recitar, não no momento é claro, versos de Vinicius. E ali mesmo entregava cópias de sonetos de autoria do nosso “poetinha”.
A TV Educativa de Ponta Grossa tem em seus arquivos uma bela matéria que foi feita em cima de uma pauta como essa, e que foi sugerida, então, pelo Fernando Durante.
O Jovani Masini partiu, e partiu sem alarde, sem despedidas, como a querer não deixar qualquer tipo de preocupações aos seus amigos, como o Renato Vargas Guasque, o Fernando Barbosa, o Xixo, o Otto Cunha...
De repente, não mais que de repente, a cidade, ao amanhecer deste 10 de julho de 2010, foi sacudida com a notícia para a qual ninguém tinha se preparado: “Morreu o Masini”, dizia ao ouvido de um jornalista do plantão, com voz embargada, a Cléo Teixeira.
E aí o que dizer? É melhor mergulhar no mundo de Vinícius, e lá descobrir que, “sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, segue a sua vida, talvez continuemos e nos encontrar quem sabe. Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens... Aí os dias vão passar, meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem são aquelas pessoas? Diremos... que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! Então é preciso cultivar a amizade dia a dia”.
Jovani Masini foi o símbolo da decência dessa pobre política brasileira e deixa uma imensa lacuna na defesa da moralidade pública.
Perdemos uma referência ética e ela faz muita falta pela raridade, à maioria dos políticos brasileiros.
Coerência e integridade, qualidades tão difíceis de se encontrar em um político, e ele tinha em abundância.
Vai, “Italiano”, você fez o melhor, você é o exemplo do bem!
“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos” (Vinícius de Moraes)
Postado por Altair Ramalho as 11:02 Clique aqui para deixar seu comentario
